Feira Hippie: a maior feira pública a céu aberto da América Latina
Não existe empresa dona da Feira Hippie. Existe uma praça pública, milhares de feirantes cadastrados e mais de meio século de história que começou com artesãos expondo peças ao ar livre.
A Feira Hippie ocupa a Praça do Trabalhador, espaço público municipal ao lado do Terminal Rodoviário de Goiânia. É considerada a maior feira livre a céu aberto do Brasil e da América Latina, reunindo milhares de feirantes cadastrados pela própria Prefeitura — não uma rede de lojas, mas um mosaico de pequenos negócios individuais funcionando sobre solo público.
Do movimento hippie ao maior polo popular do país
A história começa no fim dos anos 1960, quando artesãos e artistas plásticos — alguns ligados ao movimento hippie, daí o nome — passaram a expor trabalhos na região onde hoje fica o Parque Mutirama. Dali, a feira migrou para a Praça Universitária, depois para a própria Praça Cívica, até se fixar, nos anos 1980, no espaço atual.
A Praça do Trabalhador recebe a feira às sextas, sábados e domingos, ao lado da antiga Estação Ferroviária, tombada desde 1998.
O entorno é um patrimônio por si só: a antiga Estação Ferroviária de Goiânia, desativada nos anos 1970, ainda guarda a Maria Fumaça exposta, visível de quem caminha entre as barracas.
A montagem das barracas começa na madrugada de sexta-feira. Para fugir do calor e do maior fluxo, o domingo de manhã cedo — antes das 9h — costuma ser o horário mais tranquilo para caminhar e negociar preços com calma.
Um símbolo público que virou patrimônio
Pelo seu valor histórico e cultural, a Feira Hippie está entre os bens que o Estado de Goiás avalia registrar como patrimônio cultural imaterial — reconhecimento que reforça o que os goianienses já sabem: aquele espaço pertence à cidade, não a uma marca.