Mercado Central: o coração público da gastronomia goianiense
Antes de virar point turístico, o Mercado Central foi criado para uma coisa simples: alimentar uma cidade que nascia. Oitenta anos depois, ele ainda faz isso — só que virou também um pedaço da nossa memória.
Poucos espaços contam a história de Goiânia tão bem quanto um mercado público. O Mercado Central — também chamado de Mercado Municipal ou, carinhosamente, "Mercadão" — é equipamento da Prefeitura de Goiânia, sem nenhum vínculo com empresas privadas: o prédio, a gestão e o próprio terreno são públicos, parte da Praça Boaventura.
Uma história de três endereços
O primeiro Mercado Central foi inaugurado oficialmente em 1950, embora comerciantes já usassem o espaço de forma improvisada desde 1947. Funcionava onde hoje está o edifício Parthenon Center. Dali, mudou-se para o Centro Comercial Popular — o atual Camelódromo do Centro — até finalmente ganhar sede definitiva em 24 de outubro de 1986, na Rua 3, no terreno que antes servia de garagem do Governo do Estado.
O prédio atual tem 6.787 m² distribuídos em três pavimentos, projetado pelo escritório Grupo Quatro.
Passou por reformas em 1991 e 1994, quando ganhou nova cobertura. Curiosamente, o terceiro andar — pensado para expandir o comércio — nunca teve a adesão esperada, e hoje o movimento se concentra mesmo nos dois primeiros pisos.
Vá pela manhã, em dia de semana, para sentir o mercado no seu ritmo real — sem as filas do fim de semana. E prove a empadinha goiana de frango com pequi: é praticamente um símbolo gastronômico da cidade, tão citado quanto os próprios monumentos.
Mais que compras — um roteiro cultural
O Mercado Central fica a poucos minutos a pé da Praça Cívica e do Bosque dos Buritis, o que torna fácil combinar os três num único passeio pelo centro histórico. Tecidos, temperos, queijos e artesanato dividem espaço com bancas de comida regional, numa mistura que resume bem o espírito público e popular da cidade — sem depender de nenhuma marca ou rede para funcionar.