Congresso Nacional: o cartão-postal que virou símbolo da democracia
Não existe imagem mais repetida do Brasil do que aquelas duas cúpulas e as torres gêmeas ao fundo. Poucos sabem, porém, o motivo exato dessas formas — e da escolha de multiplicar por três o tamanho dos prédios do Rio de Janeiro.
O Palácio do Congresso Nacional é obra do arquiteto Oscar Niemeyer, projetado em 1958 a convite do presidente Juscelino Kubitschek. Antes de desenhar o edifício, Niemeyer visitou as antigas sedes do Legislativo no Rio de Janeiro — o Palácio Tiradentes (Câmara) e o Palácio Monroe (Senado) — mediu suas dimensões e multiplicou os números por três, garantindo espaço para o Parlamento crescer junto com a nova capital.
O que significam as duas cúpulas
A cúpula voltada para cima abriga o Plenário da Câmara dos Deputados; a voltada para baixo, o Plenário do Senado Federal. Entre elas, duas torres gêmeas de 28 andares concentram os gabinetes das duas Casas. O conjunto ocupa um dos vértices do triângulo formado pela Praça dos Três Poderes — nos outros dois estão o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.
Concluído em 1960, o edifício foi tombado pelo IPHAN em 2007, ano do centenário de Oscar Niemeyer.
As visitas guiadas são gratuitas, duram cerca de 50 minutos e passam pelo Salão Nobre, pelo Museu da Câmara e pelo Salão Verde, que reúne móveis desenhados por Niemeyer e Anna Maria Niemeyer, além de jardim assinado por Roberto Burle Marx.
As visitas institucionais precisam ser agendadas com antecedência e exigem documento de identificação. Chegue com folga: o roteiro exige o mesmo código de vestimenta de um espaço público formal — sem shorts, saias curtas, regatas ou chinelos.
Mais que um prédio, um patrimônio da humanidade
Junto com o restante do conjunto urbanístico de Brasília, projetado por Lúcio Costa, o Congresso Nacional integra a área tombada pela UNESCO desde 1987 — o maior perímetro urbano do mundo sob proteção histórica. Visitar é, antes de tudo, caminhar por um museu a céu aberto.